"... costumo dizer que não há nada fora da história, a ficção acaba por reflectir sempre a história, a história está nela, mesmo que seja na última franja do que se narra. (...) escrever é fazer recuar a morte, é dilatar o espaço da vida."
OCORREU UM ECLIPSE LUNAR PARCIAL PERCEBIDO AQUI NO ESTADO DE SÃO PAULO. iSSO SIGNIFICA QUE MUITAS COISAS PODEM ACONTECER, AFINAL, NO SERTÃO, ESSE FENÔMENO É BASTANTE SIGNIFICATIVO:
“Os eclipses, inexplicáveis para os sertanejos, importam sempre conseqüências calamitosas. Quando a folhinha marca um eclipse lunar, para que não morram os algodoais, os agricultores vão acordar os algodoeiros a gritos, pancadaria em latas, tiros de espingarda e clamores de búzios: a lua cris só será funesta se surpreender adormecidos os capulhos (Leonardo Mota, Violeiros do Norte, 220, São Paulo, 1925). (...) Os gritos, tiros, alarmas seriam para afastar do astro a sombra do monstro ameaçador. É uma tradição quase universal e jáfoi anotada no Brasil.”
Luiz da Câmara CASCUDO. Dicionário de Folclore brasileiro. P. 300
IMAGINÁRIO É OU NÃO É TUDO DE BOM? :)
OIMPORTANTE, ENTRETANTO, É QUE TRAZENDO CONSEQUÊNCIAS CALAMITOSAS OU NÃO, QUE É BONITO DE SE VER, É, CONFIRAM:
Com certeza você já deve ter ouvido a frase profética "O Brasil é o país do futuro", ou "O Brasil é o país sem futuro", não é mesmo?
Mas eu, falando como historiadora, prefiro aquela sentença "O Brasil é o país do futuro... e sempre será!"
Não é verdade? Ao debruçarmo-nos sobre a idéia e a história do Brasil, como fez Sérgio Buarque de Holanda no livro "Visão do Paraíso", percebemos desde as primeiras épocas da colônia, seguindo pelo período imperial e mantendo-se ainda em todas as fases da república, uma sequência initerrupta de mitos (mito nem sempre é história) que se baseiam na idéia de progresso, de evolução,de futuro! Daí a necessidade constante de produzir interpretações e, sobretudo, projetos para o Brasil!
Na verdade, por trás da frase "O Brasil é o país do futuro", está a verdade crua: "O Brasil sempre foi, é e sempre será o país em projeto."
Como pensar o futuro como projeto? Eis a pergunta sobre a qual viemos nos debruçando, no mínimo, desde 1500 (ou antes, se considerarmos que estamos falando de uma terra que já vinha sendo sonhada, procurada e pensada pelo imaginário ocidental -mais especificamente o católico ibérico, manchado por contatos com as culturas hebréias, árabes, ou até mesmo asiáticas) mas hoje, depois da ditadura militar onde a idéia de "país do futuro" para o Brasil foi assumida e reforçada, podemos até pensar em questionar esses eternos projetos. Não acham?
Vejamos o que disse a MAFALDA sobre o futuro a um caranguejo:
Segunda-feira, dia 11 de agosto eu assisti a defesa do doutoramento da minha amiga, a moça que estudou a correspondência do Monteiro Lobato com seus leitores. Em breve na sua estante de livros: "Pequenos Poemas em Prosa - Vestígios da leitura ficcional na infância brasileira, nas décadas de 30 e 40", de Patricia Rafinni!
Eu li e recomendo muito!!!!!!!!!!!!!Quero fazer uma tese assim!
“Ao longo dos anos 80, a ESPN fracassou em implantar o basquete como esporte mundial ( o que seria uma decorrência natural no mundo da universalização da calça jeans e da Coca-Cola, do McDonald’s, do cinema de Hollywood e da música pop), e a Nike teve de lidar, fora do seu programa, com um esporte que lhe era estranho. Correndo atrás do prejuízo, ambas corrigiram a rota e incorporaram o futebol a seu programa (...) É significativo que o mais mundial dos esportes não faça sentido para os Estados Unidos, e que os esportes que fazem mais sentido para os Estados Unidos estejam longe de fazer sentido para o mundo.(...)O mapa geopolítico do futebol inverte em boa parte a ordem das potências econômicas: Estados Unidos e Ásia são ‘minipotências’ periféricas, Europa e América do Sul são ‘as superpotências consagradas’, e a África, graças ao futebol e só nele, uma potência emergente, inserida simbolicamente no jogo mundial do poder e da influência. Ao lado das Nações Unidas (ONU), e tanto ou mais que esta, o futebol é a instituição mais autenticamente mundial que existe; é o único esporte praticado em todos os lugares e por todos.”
José Miguel Wisnik . Veneno Remédio: O Futebol e o Brasil. São Paulo: Cia das Letras. 2008. P.p. 21-4
“Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca, como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira veztua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
Mas olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as ocas encontram-se e lutamdebilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciarlentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamosnum breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.”